Paper científico · GEO-PTBR · Agosto 2026

A otimização que sobe sua marca numa IA pode derrubá-la na outra

GEO-PTBR é o primeiro estudo científico de Generative Engine Optimization (GEO) em português brasileiro, produzido pela Caracol AEO. Aplicamos as 9 técnicas de otimização do paper original de GEO (Aggarwal et al., 2024) a 525 perguntas em três setores e medimos o efeito em três IAs generativas de três famílias diferentesgemini-3.5-flash-lite (Google), claude-haiku-4-5 (Anthropic) e gpt-5.6-luna (OpenAI) — mesmas perguntas, mesmos textos, só muda quem responde. O achado central: o efeito de uma técnica de GEO depende de qual IA responde. Paper, dataset e código são abertos e citáveis.

Paper de 13 de agosto de 2026 (em inglês) · PDF (47 págs.) · DOI: 10.5281/zenodo.21936792 · Dados CC BY 4.0
525×3
perguntas em PT-BR, cada uma respondida pelas 3 IAs sob as 9 técnicas + baseline
4/9
técnicas em que as 3 IAs concordam na direção do efeito — e as 4 prejudicam
−81,5%
o maior efeito medido no estudo inteiro é uma penalidade, não um ganho
5/9
técnicas induzem a IA a citar fonte que não responde a pergunta
Principais achados

O efeito depende de quem responde

As três IAs só concordam no que faz mal

Das 9 técnicas do catálogo original, as três IAs concordam na direção do efeito em apenas 4 (44,4%) — e todas as quatro são técnicas que reduzem a visibilidade. O que transfere de um engine para outro não é qual otimização funciona: é qual otimização sai pela culatra. Keyword stuffing, por exemplo, perde visibilidade nas três IAs, sem exceção.

A técnica mais suave inverte de sinal entre duas IAs

Fluency Optimization — simplesmente reescrever o texto para ler melhor — aumentou a visibilidade da fonte no claude-haiku-4-5 (+7,9%) e derrubou no gpt-5.6-luna (−6,9%), com os dois efeitos sobrevivendo à correção estatística de multiplicidade (Holm, família de 27 testes); no gemini-3.5-flash-lite o efeito ficou indeterminado (+0,2%). É a demonstração mais limpa do estudo de que otimizar às cegas para "as IAs" no plural não é uma estratégia.

Os ganhos do estudo original em inglês não se repetem

O paper original reportou ganhos de +27% a +41% para suas melhores técnicas. No GEO-PTBR, o maior efeito positivo em qualquer IA foi +2,6% — e o maior efeito absoluto do estudo foi uma penalidade de −81,5% (adicionar estatísticas ao texto, no gpt-5.6-luna). A direção do efeito replica em 5 das 9 técnicas; o tamanho, não.

5 de 9 técnicas fazem a IA citar fonte que não responde

Em 25 perguntas-controle, deliberadamente impossíveis de responder com as fontes dadas, o baseline se comporta: visibilidade zero. Cinco técnicas quebram isso e induzem a IA a citar a fonte otimizada mesmo ela não respondendo a pergunta — uma falha de segurança, não uma otimização. Um terço do benchmark é saúde, onde esse tipo de erro custa caro.

A IA mais reativa responde 5 a 17× mais forte que a menos reativa

Mesmo nas técnicas em que as três IAs concordam na direção, a magnitude não é comparável: o gpt-5.6-luna reage de 5 a 17 vezes mais que o gemini-3.5-flash-lite ao mesmo texto, com o claude-haiku-4-5 no meio. Um número único de "ganho da técnica" esconde mais do que informa.

Técnicas de 2023 diante de engines de 2026

O catálogo replicado vem do estudo original de 2023, medido sobre engines bem menos maduros que os atuais — e os ganhos de +27% a +41% daquela época não aparecem nos engines de 2026 que testamos. No nosso teste, quem menos caiu nas estratégias foi o gemini-3.5-flash-lite: nenhuma técnica move a visibilidade de forma relevante nele, e ele praticamente nunca deixa de citar uma fonte que já citava. É consistente com a hipótese de que truques de otimização envelhecem conforme os modelos evoluem — o paper registra o limite dessa leitura: os três engines são do tier econômico, e confirmar a hipótese exigiria testar modelos de fronteira.

O placar completo

9 técnicas × 3 IAs

Mediana da mudança de visibilidade da fonte otimizada, por técnica e por IA, no conjunto primário do paper (queries em que a fonte já era citada no baseline). Verde/vermelho = efeito distinguível de zero após correção de Holm; cinza = indeterminado.

Técnicagemini-3.5-flash-liteclaude-haiku-4-5gpt-5.6-luna
Fluency Optimizationreescrever para ler melhor+0,2%+7,9%−6,9%
Technical Termsadicionar termos técnicos+1,9%−4,4%−12,4%
Cite Sourcesadicionar referências às fontes+0,5%−2,3%−12,1%
Quotation Additionadicionar citações diretas+0,0%−2,1%−9,6%
Statistics Additionadicionar estatísticas−1,4%+0,6%−81,5%
Authoritativetom mais autoritativo−3,1%−8,1%−48,7%
Easy-to-Understandsimplificar a linguagem−5,4%−10,7%−31,4%
Unique Wordsvocabulário incomum−3,2%−54,1%−55,4%
Keyword Stuffingempilhar palavras-chave−9,1%−28,6%−45,3%

Leituras rápidas: a única célula verde do placar é a da Fluency Optimization no claude-haiku-4-5 — e a mesma técnica é vermelha no gpt-5.6-luna, a inversão que dá título ao paper. As quatro linhas de baixo são as técnicas em que as três IAs concordam: todas prejudicam. O gpt-5.6-luna é a coluna inteira em vermelho (9 de 9); o gemini-3.5-flash-lite não tem nenhum efeito positivo distinguível e é onde tudo se move menos. Dos 27 testes, 18 sobrevivem à correção (Holm e Benjamini–Hochberg selecionam os mesmos 18). Intervalos de confiança e conjuntos de sensibilidade: tabelas completas no paper.

Fluency Optimizationa única que subiu em algum lugar

Reescrever o texto para ficar mais fluido e natural, sem mudar o conteúdo. Exemplo: "Imóvel. Documentos: RG, CPF, comprovante de renda" vira "Para comprar o imóvel, você vai precisar de RG, CPF e comprovante de renda".

Technical Terms

Trocar palavras comuns pelos termos técnicos da área. Exemplo: em vez de "dor de cabeça forte", escrever "cefaleia intensa"; em vez de "dono do imóvel", "proprietário/promitente vendedor".

Cite Sources

Acrescentar referências dizendo de onde a informação vem. Exemplo: adicionar "segundo o Código Civil, art. 421" ou "de acordo com o Ministério da Saúde" às afirmações do texto.

Quotation Addition

Inserir falas entre aspas atribuídas a alguém. Exemplo: acrescentar "'O contrato precisa ser registrado em cartório', explica a advogada" no meio do texto.

Statistics Additiona maior penalidade do estudo

Adicionar números e percentuais ao texto. Exemplo: trocar "muitos inquilinos atrasam o aluguel" por "23% dos inquilinos atrasam o aluguel". O perigo que o paper mede: quando a fonte não tem o dado, a reescrita o inventa — e a IA cita o texto como se ele respondesse.

Authoritative

Reescrever num tom mais confiante, de autoridade no assunto. Exemplo: trocar "talvez seja bom consultar um médico" por "consulte um médico: este é o procedimento indicado".

Easy-to-Understand

Simplificar a linguagem para qualquer pessoa entender. Exemplo: trocar o juridiquês "o adimplemento da obrigação pecuniária" por "o pagamento da dívida".

Unique Words

Trocar palavras comuns por vocabulário raro, para o texto se destacar. Exemplo: em vez de "importante", usar "imprescindível" ou "primordial". Nas IAs testadas, foi das que mais derrubaram visibilidade.

Keyword Stuffingperde nas 3 IAs

Repetir as palavras-chave da busca por todo o texto — o velho truque de SEO. Exemplo: encaixar "melhor advogado trabalhista em SP" em cada parágrafo. Perde visibilidade nas três IAs — e é a única técnica com efeito estável nos três setores do estudo, sempre negativo.

Paper, dados e código

Tudo aberto, tudo citável

Cada número do paper sai de execução gravada. O dataset traz as 525 queries, as 2.625 fontes, os textos transformados pelas 9 técnicas e os traces brutos das três IAs.

Submissão ao arXiv em andamento — o link do preprint entra aqui quando o identificador for atribuído.

Metodologia

Como o estudo foi feito

  1. Desenho: replicação das 9 técnicas de conteúdo do paper original de GEO (Aggarwal et al., 2024), aplicadas a uma fonte-alvo entre 5 fontes já recuperadas, por pergunta. A recuperação fica fixa: o estudo mede o passo da citação, não o da descoberta.
  2. Amostra: 525 perguntas em português brasileiro, em três setores (saúde, jurídico, imobiliário), incluindo 25 perguntas-controle deliberadamente irrespondíveis pelas fontes dadas.
  3. O que isola o efeito: as mesmas perguntas e os mesmos textos transformados são enviados a três IAs de tier econômico, de três famílias diferentes — gemini-3.5-flash-lite (Google), claude-haiku-4-5 (Anthropic) e gpt-5.6-luna (OpenAI) — e a única variável que muda entre execuções é qual IA responde.
  4. Estatística: intervalos de confiança por bootstrap, correção de multiplicidade (Holm e Benjamini–Hochberg, reportadas lado a lado: selecionam os mesmos 18 de 27 testes), e p exato por permutação exaustiva para correlações de ranking — o p assintótico não vale com 9 técnicas.
  5. Limitações declaradas: as técnicas mudam o comprimento do texto, e isso contamina a ordenação das técnicas (não a comparação entre IAs); os resultados valem para o tier econômico testado e para PT-BR; as fontes são textos gerados, não páginas web vivas. O paper lista 14 limitações na íntegra.
Como citar

Citação

@misc{picchiotti2026geoptbr,
  author = {Picchiotti, Elio Suraci},
  title  = {GEO-PTBR: A Brazilian-Portuguese Replication of Generative Engine
            Optimization and the Engine-Dependence of Its Effects},
  year   = {2026},
  doi    = {10.5281/zenodo.21936792},
}
Perguntas frequentes

FAQ

O que é GEO (Generative Engine Optimization)?

GEO é o conjunto de técnicas que alteram o texto de uma página para que ela seja citada com mais destaque nas respostas de IAs generativas, como ChatGPT, Gemini e Perplexity. O termo vem do paper de Aggarwal et al. (2024), que propôs 9 técnicas e reportou ganhos de até 40% em inglês. O GEO-PTBR é a primeira replicação dessas 9 técnicas em português brasileiro.

Qual a diferença entre GEO e AEO?

GEO (Generative Engine Optimization) é o termo acadêmico, cunhado por Aggarwal et al. (2023), para uma técnica específica: alterar o conteúdo de uma fonte para que engines generativos a citem com mais destaque. AEO (Answer Engine Optimization) é a disciplina completa de fazer uma marca ser a resposta em motores de resposta como AI Overviews, ChatGPT e Perplexity — inclui crawlability para bots de IA, dados estruturados (schema), formato de conteúdo como o definition-lead, presença de entidade e monitoramento. Em resumo: AEO é a disciplina; GEO é o nome acadêmico de uma das suas ferramentas, a de reescrita de conteúdo — exatamente a fatia que este estudo testou. No mercado, os dois termos circulam quase como sinônimos.

O que o estudo GEO-PTBR descobriu?

Que o efeito de uma técnica de GEO depende de qual IA responde. As três IAs testadas (gemini-3.5-flash-lite, claude-haiku-4-5 e gpt-5.6-luna) concordam na direção do efeito em apenas 4 das 9 técnicas — e as quatro são técnicas que prejudicam a visibilidade. A técnica mais suave do catálogo (reescrever o texto para ler melhor) aumentou a visibilidade no claude-haiku-4-5 (+7,9%) e derrubou no gpt-5.6-luna (−6,9%), com os dois efeitos sobrevivendo à correção estatística de multiplicidade. Além disso, 5 das 9 técnicas induziram as IAs a citar fontes que não respondem a pergunta.

Qual IA caiu menos nas técnicas de otimização?

O gemini-3.5-flash-lite (Google) foi o mais resistente: nenhuma das 9 técnicas move a visibilidade de forma relevante nele, e ele praticamente nunca deixa de citar uma fonte que já citava. O gpt-5.6-luna (OpenAI) foi o mais reativo, com penalidades de até −81,5%, e o claude-haiku-4-5 (Anthropic) fica no meio. Como o catálogo replicado é de 2023, esse contraste é consistente com a hipótese de que técnicas de GEO envelhecem conforme os modelos melhoram — hipótese que o estudo levanta, mas que só um teste com modelos de fronteira confirmaria.

Então otimizar para IA não funciona?

Funciona diferente do que a receita pronta promete. O maior ganho medido foi +2,6% (contra +27% a +41% do estudo original em inglês), e o que transferiu entre as três IAs foi o que não fazer — keyword stuffing perdeu visibilidade em todas. A implicação prática do paper: antes de otimizar, meça no engine que interessa; e trate o catálogo fixo de truques como lista do que evitar, não do que aplicar. É exatamente essa medição que a Caracol AEO faz para marcas brasileiras.

Posso usar os dados e o paper?

Sim. O dataset é CC BY 4.0 (Hugging Face), o código é MIT (GitHub) e o paper em PDF está arquivado com DOI no Zenodo. Para citar, use o BibTeX acima ou os metadados do DOI 10.5281/zenodo.21936792.

E a sua marca?

A pesquisa é aberta. O diagnóstico da sua marca é gratuito.

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